O Brasil e o protagonismo na transição energética

Escrito por: Ana Carolina Marques - 25/03/2025
O mundo está em transformação e as discussões das agendas social e ambiental ganharam atenção em diversos países, impactando diretamente o processo de transição energética. Nesse cenário dinâmico, o Brasil tem um papel estratégico e deve aproveitar seu potencial para liderar essa mudança.
Mesmo sendo o 9º maior produtor de petróleo do mundo, o país se destaca pela matriz energética predominantemente renovável. Com mais de 60% da eletricidade gerada de hidrelétricas e um crescimento expressivo das fontes eólica e solar, há um caminho promissor para consolidar sua posição como referência em energia limpa.
Para que esse avanço aconteça, é necessário enfrentar desafios como a burocracia para novos projetos, a modernização da infraestrutura elétrica e os custos da transição. As oportunidades estão bem diante dos nossos olhos: a demanda global por energia limpa cresce, e eventos como a COP30, em Belém, reforçam a visibilidade do Brasil nas discussões sobre sustentabilidade e investimentos no setor.
A conferência acontece em novembro deste ano e reunirá mais de 60 mil pessoas, entre chefes de Estado, empresários e investidores, criando um ambiente propício para a atração de capital voltado à energia renovável.
Então, por onde começar?
É importante enfatizar que a transição energética no setor de petróleo e gás exige equilíbrio. Os combustíveis fósseis ainda desempenham um papel econômico relevante, mas o país já sinaliza um movimento crescente de diversificação da matriz energética.
O Brasil tem um dos maiores potenciais globais para energia eólica offshore, especialmente no Sul e no Nordeste, e a energia solar segue em expansão, tornando-se cada vez mais acessível e atraente para investidores.
Em paralelo, os biocombustíveis ganham força como alternativa sustentável, com o impulso dado pelo programa RenovaBio, contribuindo para a redução das emissões de carbono.
As tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS) também começam a se destacar. Projetos como o Hi-Sep da Petrobras demonstram o potencial para mitigar emissões no setor de petróleo e gás, e a ampliação dessas soluções pode trazer benefícios significativos à transição energética.
Regulamentação e investimentos
Embora os investimentos em energia solar e eólica tenham registrado uma redução em 2024, a tendência de crescimento a longo prazo continua. Em 2023, os aportes atingiram R$ 94,6 bilhões, e, mesmo com a retração para R$ 60,4 bilhões, em 2024, há espaço para retomada, principalmente com a chegada de novos incentivos e políticas voltadas à sustentabilidade.
A modernização das redes de transmissão e a otimização dos processos regulatórios são essenciais para integrar novas fontes de energia limpa de maneira eficiente. Além disso, a criação de incentivos governamentais e a ampliação da participação do capital privado podem acelerar essa transformação, tornando os investimentos ainda mais atrativos.
Outro fator estratégico é a proteção financeira de projetos de energia renovável. Com a evolução do setor, cresce a necessidade de seguros especializados que minimizem riscos e garantam segurança a investidores e operadores. Projetos de energia eólica offshore, usinas solares e sistemas de captura de carbono demandam soluções, e o mercado segurador precisa encontrar a forma de viabilizar esses investimentos com estabilidade.
Um caminho sustentável para o Brasil
A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris abre caminho para o Brasil se consolidar como um destino estratégico para investimentos em energias renováveis e ressaltar seu compromisso com a agenda ambiental diante de outros países.
Outro ponto importante é que a transição energética está gerando boas oportunidades para o nosso país fortalecer sua economia e consolidar sua relevância global. A COP30 representa um marco para atrair investimentos e reforçar a responsabilidade do país com um futuro sustentável.
Com regulação adequada, infraestrutura moderna e acesso a financiamento, o Brasil pode se tornar referência mundial na transição energética. Mais do que um desafio, esse movimento é uma chance de impulsionar o desenvolvimento, gerar empregos e fortalecer a economia com base em fontes limpas e renováveis.
Qual sua visão sobre este tema? Vamos conversar?